Aluno: Leonardo Luiz Lima Pereira .:. RA – 748
Professor: ACM / Matéria: Tópicos Especiais II
Trabalho: "Comentar os motivos da crise econômica de 2008 de acordo
com o filme "Inside the Job" (razões, motivos etc).
De início tínhamos uma bolha imobiliária
no mercado
americano, alimentada pelo sistema financeiro. As imobiliárias
vendiam imóveis agressivamente, oferecendo condições extremamente atrativas de
financiamento a qualquer um, inclusive pessoas em situação financeira precária.
Os
bancos não se recusavam a financiar esses compradores que as imobiliárias displicentemente
lhes encaminhavam por duas razões principais: a primeira é que o mercado
imobiliário estava em alta. Portanto, se o banco empresta US$ 250 mil e um ano
depois o cliente está inadimplente, toma a casa de volta e torna a vendê-la no
mercado por US$ 300 mil. Portanto, eram empréstimos com boas garantias (desde
que o mercado imobiliário continuasse em ascensão).
A
segunda razão para a despreocupação dos bancos era o fato de que eles não
mantinham esses empréstimos em suas carteiras. Eles eram “empacotados” em
fundos de investimento, avaliados por empresas de análise de risco, e oferecidos ao
mercado, que os adquiria. Esses fundos eram chamados de subprime porque
se sabia que os tomadores dos empréstimos que constituíam os ativos desses
fundos não eram pagadores de “primeira linha”.
Quando
os imóveis alcançaram seu teto de valor, e o mercado começou a “perceber” a
fragilidade do esquema, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou,
porque tinha uma grande quantidade de fundos de investimento subprime
em sua carteira que ainda não havia conseguido revender no mercado.
Com a quebra do Lehman Brothers, no mercado financeiro todo mundo começou a
desconfiar de todo mundo e ninguém emprestava a mais ninguém, dando o pontapé
inicial à crise de 2008.
Muita
gente se deu mal diretamente, como bancos europeus, que haviam adquirido
grandes quantidades de quotas dos fundos subprime. A AIG, empresa seguradora, faliu rapidamente,
pois vários bancos, por precaução, ao adquirirem quotas de fundos subprime,
faziam seguros para se garantirem no caso dos fundos quebrarem, o que, de fato,
veio a ocorrer. Não só os bancos que queriam se proteger pagaram à AIG, mas
também especuladores que começaram a perceber que o castelo de cartas estava para
cair. A AIG, certa pelo lucro “fácil”, já que os fundos subprime tinham boas notas (AAA) acreditadas
pelas agências de risco, não se constrangeu e comprou “risco” em grandes
quantidades. O salvamento da AIG pelo governo americano talvez tenha sido o
evento singular na história da humanidade em que mais se transferiu dinheiro
(US$ 55 bi) da coletividade (300 milhões de contribuintes americanos) para umas
poucas centenas de indivíduos e corporações.
A
partir daí tudo começa e gira em torno da chamada desregulamentação,
que fez com que as financeiras lavassem dinheiro e cometessem fraudes absurdas.
Em
2008, era perceptível que se aproximava uma grave crise imobiliária nos EUA. Essa
mesma crise iria contradizer toda a política neoliberal, que procura retirar do
Estado os mecanismos que permite controlar a movimentação financeira mundo
afora e os enormes lucros astronômicos do capital que se dedica a ela.
Desregulamentação,
enfim, veio a ser todo o processo político e econômico que possibilitou uma
enorme virada na economia mundial e deu início ao que passou a se chamar
“Globalização”. Partia-se do princípio que era necessário livrar a economia de
todas as amarras que eram impostas pelo Estado e garantir ampla liberdade para
o comércio mundial. Não se atentou no primeiro momento que essa liberdade
reivindicada tinha como alvo principal a movimentação do capital financeiro
pelo mundo. Óbvio, também para as mercadorias. Mas a mercadoria mais importante
a ser “libertada” era o dinheiro, permitindo aos especuladores “inventar”
múltiplas fórmulas capazes de multiplicar seus rendimentos.
As
finanças globais foram, assim, transformadas num verdadeiro cassino. Analistas
e acadêmicos das famosas escolas de administração, economia e finanças dos EUA
tornaram-se consultores e assumiram cargos elevados da alta administração.
A
crise do socialismo havia aberto caminho para um discurso. Sustentava-se, então,
que o capitalismo sem medidas era a única alternativa capaz de solucionar os
problemas do mundo, assegurando a prosperidade para todos. A chave estava em
garantir liberdade àqueles que visavam investir seus capitais em rentáveis
negócios, de forma a espalhar desenvolvimento por toda a parte. O discurso foi
eficiente: a maioria das pessoas comprou o argumento – inclusive os mais
pobres. O que não se via é que o poder estatal não desaparecera: fora
transferido para instituições como FMI, Banco Mundial entre outras que se
tornaram mais fortes que os Estados nacionais.
Deslumbrada
pelo papel que a propaganda e ou marketing passavam a ter, a “grande” mídia de
mercado manipulava e escondia a verdadeira face do que estava se espalhando
pelo mundo. Poucos, muitos poucos, ganhavam milhões em todo esse processo. É visível
vendo o filme que a desregulamentação abriu as portas para todos os tipos de
gananciosos financeiros.
O
documentário, aliás, também ajuda a enxergar como o poder político determina os
mecanismos que garantem a acumulação de riqueza nas mãos de uma pequena
minoria. As entrevistas, algumas delas feitas com personagens que estiveram no
centro da crise, chegam a ser engraçadas.
Tudo
isso à custa do crescimento da pobreza no mundo, principalmente em países que
abandonaram todos os tipos de investimentos produtivos, a partir da pressão
para que o Estado se afastasse de determinados setores da economia. Em várias
partes do mundo, esta retirada desmantelou, por exemplo, a produção agrícola,
resultando hoje em crise da produção de alimentos e o encarecimento dos mesmos,
afetando principalmente a população mais pobre. Seria cômico, se não fosse
trágico.
A
chegada da crise a todos os continentes, evidenciou o estrago feito pelas
políticas neoliberais. Mas isso não significa que os agentes responsáveis pela
quebradeira, pela ação gananciosa que ampliou a pobreza inclusive em países
como os Estados Unidos, tenham sido punidos. Ao contrário: o documentário
mostra que muitos deles ocupam hoje cargos importantes na estrutura
administrativa daquele país. Foram indicados por Barack Obama, ilusoriamente
visto como a saída para o caos econômico que atingiu os EUA.
O que se deduz de Inside Job é que a
maioria dos seres humanos não vivem no sistema descrito pelo filme. Vivem sob ele. Ou seja, que a enorme maioria das
pessoas vive no submundo do que se pode caracterizar como capitalismo.

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