Estou decidido.

Carta escrita a dois anos atrás, para a Cia., na qual, eu participava. Lembro de tudo como se fosso hoje...
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"Pra dizer a verdade, eu não consegui parar de pensar no que eu poderia dizer a cada um de vocês. Ou, quem sabe, a melhor forma possível de dizer. Resolvi então escrever. Resumir tudo o que estou sentindo, mesmo não estando em condições mínimas para relatar algo que se encontra desorientado e inquieto.
Ontem foi a gota d’água. Sinceramente, ontem foi o meu limite. Não sei por que as coisas tomaram essa imensa proporção, nem me lembro mais como começou, mas apenas sei que virou uma guerra incontrolável, atingindo a todos e tudo. Confesso que nunca fui um santo, admito que nessa guerra, ainda empoeirada, não existiu nem o bem nem o mal, visto apenas como agressores e agredidos. Se existe alguma relação amistosa e humanista, essa relação não está lá. Lá encontrei apenas relações de interesses e cobiças, à parte. Devo ressaltar que fiz grandes amigos, pouquíssimos até, mas o suficiente para me engrandecer. Não pretendo citar nomes, mas aqueles que são meus amigos, saberão.
Sou um rapaz de vinte e dois anos de idade que busca incansavelmente a melhor forma de agir com a vida e dentro dela, sem causar erros que possam abalar o meu futuro, por isso, se eu não quiser me tornar um velho infantil de cabelos brancos, que ora causa danos de um adolescente mimado, e ora desce o nível enganando os outros com seu falso coleguismo, então eu não posso mais me permitir as freqüentes idas a esse mundo, onde um quer devorar o outro.
Meus princípios e meus ensinamentos me levam a crer que eu não era obrigado a escutar terça parte do que foi dito ontem. E da forma como foi dito. O que sabemos sobre a vida? O quanto achamos que somos capazes de sufocar as pessoas com nossas palavras mal ditas, ou malditas, dizendo o que bem entender da maneira que bem entender? Como sabemos que o que estamos dizendo serve como meios de vida para os outros? É fato que somos culpados! Culpados por deixar isso acontecer. Somos culpados, segundo disseram. E nada ficou bem explicado, pois ninguém nos deu o direito de resposta. Todos acham que nós somos palhaços.
E por questão de honra, farei minha parte. Haverá os que me culparão, haverá também os que me apoiarão, – mesmo que isso seja quase impossível – mas estou decidido:

“Não farei a ALMA BOA DE SET-SUAN”.

Estou realmente decidido e nada me fará voltar atrás. Peço desculpas, mas já não possuía a vontade e agora, muito menos o desejo.
Nunca vi o curso como o último refúgio, nunca tive ao menos a pretensão em vestir alguma camisa que não fosse a meu favor ou a favor de meus amigos, e jamais cobicei nenhum tipo de integração ou posição. Não velo por uma oportunidade injusta, quero apenas mostrar o meu trabalho e o meu amor pelo teatro, não o teatro puritano que tanto vejo, desse eu estou fora, me refiro a outro prazer. O prazer de fazer as pessoas sorrirem, ou se emocionarem, assistindo “Shakespeare”, vendo “Romeu e Julieta”, se revoltando com Bretch. Pois é assim que eu me sinto, um ator revoltado por um teatro marginalizado, por um teatro comercializado, divulgado de forma errada. A grande diferença do que se vê externo e internamente me causa enjôo. Insatisfação. E acabo ficando do lado de poucos. E acabo me tornando algo indesejável. E acabo sendo o culpado.
Chega de tanta indiferença, chega de ouvir o que não me é necessário. Eu não preciso de ninguém para me reeducar. Minha mãe fez isso muito bem, apesar de minha relação com ela no momento não ser das melhores, pois está fazendo um ano que nós não nos falamos.
Já tive problemas demais e ainda estou tendo, sei muito bem o que é ter um problema. Sei da gravidade que é ter um. Por isso, não quero ser um problema na vida de ninguém, muito menos de pessoas que eu gosto ou que um dia gostaram de mim. O tempo pode nos avaliar melhor, nos mostrar realmente quem somos. Mas, enquanto isso, quero deixar de ser um dos causadores de toda essa confusão e desentendimento. Assim, procurarei ser mais maleável, mais dedicado ao meu trabalho, a minha família e ao grande amor da minha vida. Muitos já tentaram destruir o nosso amor e onde mais eu encontrei esse tipo de imperfeição, foi exatamente no teatro. Mas isso não vem ao caso. Preciso falar de nós, um grupo audacioso e dedicado e que jamais pode esquecer de onde veio, das suas origens e, do principal, da humildade.
Devo ressaltar, agradeço por tudo o que aprendi, e o que importa é o que eu me tornei. Não me arrependo de nada e levo como experiência todos esses meses em que passamos juntos,

Meus amigos.

Nem todo o final é feliz. Foi tempo em que eu assistia às novelas e vibrava por cada final, por cada último capítulo. Aquela cena agressiva de ontem deu início ao meu mais novo final, e aquela saída triunfal, meu último capítulo. Pena ter se tratado de novela mexicana, essa eu não acompanho! E aquela cena. Ah, aquela cena! Com direito a platéia interativa. As lágrimas do público, digo, verdadeiras obras primas de quem aprendeu direitinho o que é fazer teatro do modo mais falso possível, aquelas mereciam o Oscar.
Se o vento não levou, ou se o coletor de lixo não varreu e jogou em sua caçamba laranja, meus papéis ainda devem estar lá jogados. Não restou uma folha sequer. Set-Suan sumiu do mapa, pois os “Deuses” não foram com a minha cara. Equivocados são aqueles que pensarem que eu desisti. Como todo bom filme, haverá a parte dois. E eu retornarei das cinzas, assim como Fênix. Nem que eu atue para mim mesmo, dentro de casa, de frente para o espelho, pelo menos eu saberei que o que eu estou fazendo é teatro.

Como é difícil este mundo!

Obrigado por terem lido até o final. Vocês são muito importantes para minha existência. E acreditem… jamais esquecerei de vocês.

Atenciosamente,
Leonardo Lima."

Carta ao Renato Aragão, o Didi.

REPASSANDO COM PRAZER.

OBS: Ela escreveu o que muitos de nós gostariamos de dizer!

CARTA ABERTA AO RENATO ARAGÃO, O DIDI.
Quinta, 23 de julho de 2008.
Querido Didi,
Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.
Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.
Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.
O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?
Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...
No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...
Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.
P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.
P.S.2: Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.
P.S.3: E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS?
MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS ?
BRASILEIROS PATRIOTAS DIVULGUEM ESSA REVOLTA....

O Encontro da Vida

Recebi a pouco tempo um texto do site novo-MUNDO, no qual sou cadastrado. Algumas postagens não me agradam muito, mas outras vejo que são interessantes. Segue abaixo uma delas, lembrando que não é de minha autoria.
Um pouco sobre o sentido da vida, que nada acontece por acaso ou que você não pode lutar contra o destino - nenhum fio de cabelo cai sem a permissão de Deus...


"A vida certa vez chegou ao homem e perguntou por que ele caminhava sozinho. Ele respondeu à vida que ainda não tinha encontrado quem estava procurando. A mesma vida encontrou a mulher no supermercado e perguntou se ela não estava cansada de viver só. Ela disse que quase sempre foi assim, com poucos momentos de não-solidão. Então a vida arquitetou seu plano. Deixou tudo preparado para o encontro dos dois.
Em um dia de muito sol, o homem saiu com o seu carro para ir à padaria. A mulher, por algum capricho da vida, também saiu de carro, mas para ir ao açougue. A padaria ficava numa rodovia de mão dupla. O açougue ficava na mesma rodovia, porém algumas centenas de metros mais adiante. O homem estava a 80km/h, assim como a mulher. Os dois não sabiam de seu encontro. Não poderiam imaginar. O homem viu a mulher primeiro, momentos depois de decidir que passaria aquele caminhão mesmo num local tão arriscado. A mulher teve uma fração de segundo para perceber a existência do homem. Os olhos se encontraram, a carne foi rasgada, ossos se quebraram e dois corações pararam de bater. A vida, que estava a poucos metros dali, sorriu.
Seu encontro foi um sucesso."

Adeus Amor

Não tenho palavras... as lágrimas me sufocam antes que qualquer letra se forme em meus lábios. Pra quem não sabe, ontem meu mundo caiu. De certa forma, eu fui o grande culpado por tudo. Perdi a sensibilidade por um minuto de desordem, e até agora não entendo como não fizeram nada para mudar. Onde estava meu anjo da guarda, sempre pronto para me proteger? Como deixaram uma criatura perversa invadir meu espaço, trazendo fúria e um desejo enorme de tomar o meu lugar. Uma criatura em forma humana, cruel, áspera, unicamente pronta para destruir minha vida. faltou Deus naquele instante. Faltou alguém que dissesse: basta! Mas não... as pessoas não entendem, aliás, elas nunca irão entender. Transbordei de amor durante quatro anos... desejei satisfazer durante quatro longos anos... fui fiel, amigo, pai... verdade! Pai... e nenhum reconhecimento eu recebi. É verdade que fui o grande culpado por tudo, mas nada me tira a defesa de achar que foi até certo ponto. Errei com o amor e agora me sinto enjoado. Não sinto mais fome, nem sede. Como algo pra enganar meu estômago e ele me engana dizendo que já é o suficiente por hoje. Eu emagreço e a vida também, quando vou me pesar sou uma pena na balança.
Ontem fui arrasado, fui posto como um lixo. Enquanto eu pedia aos céus, o amor levava a sua bagagem. Lembranças ficaram dentro de um armário vazio, deixando apenas um peixe chamado "Zinho". O único ser vivo além de mim, comprado pra satisfazer a vontade do amor. Vou levá-lo embora, pois não há espaço para ele. Minha depressão divide comigo o resto de saudade que ficou. Será que vou suportar carregar por muito tempo esse copo d'água? A tempestade é forte e há pouca água. Um dia me disseram que o perigo está quando o líquido seca… não sei bem ao certo, mas acho que meu pranto não irá permitir uma coisa dessas.
Tenho a leve impressão de que o amor já deve ter lido. Apesar de nunca ter tido o hábito de ler o que eu escrevia... mas estou certo de que lembrará de tudo!
As vezes tenho soluço do nada! Não sei se adquiri pela perda, ou se é alguma má digestão que me dá. Só sei que não está sendo nada fácil. A forma como fui deixado me perfura mais do que qualquer outra coisa, uma flecha contrária ao amor. Ainda estou sujo de sangue, e isso não vai curar tão facilmente. O amor entrou em minha residência, arrancou as paredes e o chão, colocou tudo em sacos plásticos e foi embora. O vi partir e nem sequer um "tchau" me deu. Se tudo começou com um "oi" pelo menos um "tchau" seria mais que justo. Não! despedida seria demais para um cão vira-lata. Eu fui tratado com desprezo. Que pena que o amor não se lembrou das coisas boas. Que quando foi posto pra fora de casa, eu o acolhi. Que quando precisou de um corpo quente, eu lhe dei. Que quando quis ser feliz, eu pelo menos lhe dei o mínimo de felicidade. É... mas o amor se esqueceu das coisas boas... talvez porque agora há alguém por trás, porque agora há base, influência e instrução. Enquanto eu... só não fui derrotado pela depressão porque acredito que nenhum fio de cabelo cai sem a permissão de Deus!
Mas ontem meu mundo caiu.
Ontem não tive ninguém para assegurá-lo que isso terá um fim.
E por mais que eu tente esquecer tudo, por mais que eu tente ser frio como foi o amor ou áspero como foi a criatura, de modo que eu finja estar tudo bem... não consigo! está tudo muito mal, pois sei que não há volta. Vou sentir falta do abraço, do beijo, dos sonhos, mesmo que o amor não sinta. E essa falta me põe em perigo.
Estou em risco de perder o emprego porque não consigo trabalhar. Estou em risco de morrer de fome, porque não quero mais comer. Estou em risco de viver nesse inferno pra sempre, porque não quero me matar.
Até onde vai essa tragédia?

Apesar de tudo, vou lembrar do amor como fonte de tudo o que há de bom neste mundo, mesmo tendo descoberto que pode ser o contrário.

Adeus amor.

Dona Dalvina em: Velha Corcunda.

DONA DALVINA, MULHER CORCUNDA DE UM METRO E QUARENTA, CABELOS BRANCOS E VOLUMOSOS COMO SE FOSSE UM ENORME ALGODÃO DOCE. SEU ANDAR, INIGUALÁVEL, DEPENDIA DE SEUS PASSOS LIGEIROS E CURTOS. NINGUÉM JAMAIS SOUBE DE SUA ORIGEM, APENAS QUE MORAVA NA RUA DE CIMA.
NADA SUBSTITUÍA DONA DALVINA. PARA CADA PERGUNTA HAVIA UMA REPOSTA NA PONTA LÍNGUA. DESCIA PRA COMPRAR O PÃO E SUBIA APENAS COM O QUEIJO, QUANDO LHE PERGUNTAVAM O QUE HAVIA FEITO COM O PÃO, ELA RESPONDIA: “ENTRE UM PÃO E UM QUEIJO, SEMPRE FIQUE COM O QUEIJO. O PÃO VOCÊ NÃO SENTE GRAÇA AO COMÊ-LO SOZINHO, MAS O QUEIJO, BASTA A FACA.”
NÃO SEI SE FOI DAÍ QUE SURGIU O DITADO POPULAR, SÓ SEI QUE MESMO NÃO SENDO FONTE INESGOTÁVEL DE DITADOS, NADA OS SUBSTITUÍAM QUANDO SAÍAM DA BOCA DA VELHA CORCUNDA.
UMA VEZ, DONA DALVINA, ACHOU SOFRER GRANDE DISCRIMINAÇÃO POR SER TÃO PEQUENINA. ELA DIZIA QUE TODOS DOBRAVAM O PESCOÇO QUANDO A OLHAVAM. ELA PASSAVA E LÁ ESTAVA A VIZINHA DA CASA TRÊS OLHANDO-A POR ENTRE A JANELA. OLHAVA PARA BAIXO, NUNCA PARA CIMA. TALVEZ ISSO SE DEVIA PELO FATO DE A VIZINHA DA CASA TRÊS MORAR DUAS CASAS ACIMA. MAS NADA TIRAVA DELA A IRRITAÇÃO DE SENTIR-SE PEQUENA.
O QUE MAIS MARCAVA DONA DALVINA, ERA SEU MODO DE FALAR, GENTE DAQUELA ESTIRPE ERA INCOMUM. SUA FALA É DÍFICIL DE DESCREVER. TALVEZ UMA MISTURA DE DEBOCHE COM INOCÊNCIA, CALMA COM ANTEPATIA. É TUDO UM CAOS ORDENADO QUE NÃO SE LIMITA APENAS NO QUE EU DIGO. MAS VOCÊ TINHA QUE VER, ERA EXPLÊNDIDO. UMA VERDADEIRA PERSONAGEM DO HUMOR NEGRO, ALIÁS, ELA POSSUIA UM HUMOR ALTAMENTE SOMBRIO. NÃO GOSTAVA QUE ZOMBASSEM DELA, E AQUELE NEGÓCIO DE OLHAR PARA BAIXO... JÁ ESTAVA PASSANDO DOS LIMITES.
AMIGO FIEL DE DONA DALVINA, ROBERTO MAGU, TENTOU ACALMAR-LHE OS ANIMOS: “NÃO FIQUE ASSIM! SABE MUITO BEM QUE É INDEFESA E NÂNICA. A QUALQUER HORA VAI TOMAR UMA PANCADA NESTA CABECINHA QUE DEUS ABENÇO-OU.”
DONA DALVINA REPLICOU: “MAGU... POR QUÊ ESTÁS A MECHER SUAS FALANGES DESSE JEITO, POR ACASO É REGENTE DE OSQUESTRA? SEM FALAR QUE… EU NÃO TE PERGUNTEI NADA!”
MAGU, COMO SEMPRE, PRESTATIVO E SOLIDÁRIO, DESCULPOU EM PENSAMENTOS DONA DALVINA POR AQUELA GROSSERIA, CONHECIA-A BEM, NADA LHE TIRAVA A PRESTEZA DE SER INDELICADA. ERA VELHA, FEIA E QUASE SEM VIDA, O QUE MAIS PODERIA EXIGIR DELA, ALÉM DO MAIS, GOSTAVA DAQUELA PEQUENINA DE GRAÇA, SUA ÚNICA AMIGA, O RESTO ERA SILÊNCIO POR ONDE PASSAVA, COM EXCESSÃO DE UM MENDIGO QUE SÓ POSSUIA TRONCO E CÉREBRO… MAIS CONHECIDO COMO “CHAVES COTOCO”, POIS NINGUÉM JAMAIS SOUBE ONDE DORMIA OU MORAVA, VIVIA DAS ESMOLAS QUE CONSEGUIA E SE APROVEITAVA DE SUA INVALIDEZ PARA OBTER A ATENÇÃO DOS PIEDOSOS. PARA DONA DALVINA, COTOCO ERA UM VERDADEIRO CHARLATÃO, ESSE SIM MERECIA SER OLHADO DE CIMA PRA BAIXO… ELA NÃO!
“VELHA CORCUNDA… VELHA CORCUNDA!” – GRITAVA LÁ DE CIMA AS FILHAS DA DIVORCIADA FLAMÍNIA. – “VELHA CORCUNDA!” – DONDA DALVINA, PUXOU O LENÇO DO BOLSO, COÇOU A CACHOLA, LIMPOU O SUOR DEBAIXO DE 35° GRAUS E ACENOU PARA AS CRIANÇAS GESTOS OBCENOS. EM CONSEQUENCIA OUVIU-SE UMA SUGADA DE AR DE DOIS PULMÕES JOVENS. CHOCADAS, AS MENINAS CORRERAM PARA DENTRO DE CASA CLAMANDO PELA MÃE. FLAMÍNIA APARECEU PARA VER O QUE ERA. DONA DALVINA NEM ESPEROU, SAIU SOLTANDO OS CÃES PRA CIMA DA DIVORCIADA QUE A RESPONDIA, CRUZANDO SUAS FALAS COM AS DELA, CRIANDO UMA SINFONÍA, ONDE O MAESTRO SURGIU DE LONGE, CHAMADO MAGU. A RUA ENCHEU, OS VIZINHOS DO PRÉDIO SAÍRAM PARA OUVIR A VELHA CORCUNDA RESMUNGONA DO SUBSOLO. AS FILHAS DE FLAMÍNIA CHORAVAM UM CHORO AGUDO E IRRITANTE. QUEM PASSAVA PELO LOCAL VIA O TUMÚLTO E PERGUNTAVA: “QUEM MORREU…? QUEM MORREU…?” – SE DEPENDESSE DE DONA DALVINA, UM DALI SAIRIA MORTO, APESAR DE TODOS SABEREM QUE JAMAIS SERIA CAPAZ DE ESMAGAR UMA FORMIGA SEQUER.
A CONFUSÃO ERA TANTA QUE BETO MAGU TEVE A IDÉIA BRILHANTE DE ARRANCAR A VELHA PELAS PERNAS E SAIR CORRENDO. EM MEIO MINUTO ESTARIA FORA DALI. FOI EXATAMENTE O QUE FEZ. QUANDO DONA DALVINA SENTIU-SE SUSPENSA NO AR, A EMOÇÃO BATEU-LHE O PEITO. VIU QUE O CHÃO ERA MENOS ASPERO DAQUELA VISTA, PODE PERCEBER QUE TODOS A OLHAVAM DE BAIXO PRA CIMA E QUE A SENSAÇÃO DE PODER CORRIA-LHE PELA ESPINHA. TUDO BEM QUE NÃO PASSAVA DOS DOIS METROS DE ALTURA, MAS PARA DONA DALVINA AQUILO ERA COMO VIAJAR DE AVIÃO, NEM PASSAVA POR SUA CABEÇA QUEM A ESTAVA CARREGANDO NO BRAÇO, SABIA SOMENTE QUE POR ALGUNS INSTANTES SUA VISÃO ERA PLENA SOBRE A RUA, AS PASSAGENS, AS CASAS, AS PESSOAS… TUDO ISSO HÁ DOIS METROS DE ALTURA.
DONA DALVINA ENCHEU O PEITO, DESPREOCUPOU-SE COM SEUS POUCOS CABELOS DESAJEITADOS, ABRIU A BOCA E DISSE: “BANDO DE DESOCUPADOS… POSSO SER PEQUENINA, MAS NINGUÉM ME CARREGA NO BOLSO!”
DEPOIS DO OCORRIDO, TODOS VOLTARAM PRA SUAS CASAS SEM ENTENDEREM NADA, A NÃO SER A CERTEZA DE QUE ERAM UM BANDO DE DESOCUPADOS.

Pergunta inacabada para algumas respostas prontas


Hoje estive me perguntando se Deus nos avisa quando é a hora de sorrir ou quando é a hora de chorar. Enquanto me perguntava o eco que se difundia dentro de mim se transformou em uma solúvel resposta, saindo pelos meus ouvidos, boca e narinas. O livre arbítrio. A liberdade sobre a prepotência, sobre a vontade de fazer o que quiser, quando quiser ou onde quiser. Constatei que a pergunta estava errada. Enganada por dentro. Burlada na casca. Errada na tinta ao sair da pena e no papel ao manchar a dália em marca d’água. Escrevi com rapidez uma pequena observação, e fiz questão de riscar a anterior. Coisas de escritor. Nela pus a firmeza de uma nova pergunta: "Será que Deus nos ajuda?" E a resposta veio seqüelada, assim como minhas notas ingênuas, tão incrédulas sem desejarem ter sido. Ri por um momento. Sozinho. Ri porque eu estava sozinho. E achei graça das minhas idéias estouvadas, das minhas perguntas inacabáveis para as respostas já prontas. Respostas que não necessitavam de perguntas, que sempre estiveram estampadas em nossas caras ou nas nossas nádegas – apenas para os caras de bundas. Em dado momento, fui esclarecendo-me aos poucos e minha mente retornando aos loucos e conscientes pensamentos meus. Consciência do eu por si mesmo. O mesmo que eu. Em meio a todo esse enleio, pude recordar dentre a mais profunda falta de memória, um exemplo típico de que as respostas existem, nós é que não nos disponhamos a enxergá-las.
Era tarde do dia, e a mesmice de um pequeno escritório afetava diretamente o meu intelecto. Até que – com a graça de alguém – fui enviado para um serviço externo, no centro da cidade. Fazia parte do meu ofício e era o que eu mais gostava de fazer. Sair. Contemplar novos rostos. Caminhar por entre ruas, somente para manter meu espírito livre, apesar de tudo. Lembro-me das poucas nuvens que cobriam o céu e que me cobriam em uma ocasião azada. Tudo estava mal. Nada estava bem. Tudo bem, nada mal. Havia me acostumado com isso. Sabia que era um processo rápido, às vezes demorado. O que não importava, pois há muitos instantes ou tempo subseqüente, isso iria acabar. De uma forma ou de outra.
Fiz sinal para o ônibus que parou. Aproveitei o único banco vazio que restava para colocar em assento todo o peso de um dia exaustivo. Almejei estar em minha cama, sobre o meu travesseiro, escutando os pássaros residentes da enorme amendoeira plantada há anos no meu quintal. Desejei estar lá, só. Mas estava aqui, indisposto e sem postura, querendo dormir.
Quando entrou um rapaz com um nariz de palhaço. Acho que tive a mesma reação que todos. Ele sussurrou algumas palavras com o trocador, virou-se para os passageiros que ali estavam e se apresentou:
"Olá! Podem me chamar de palhaço. Fiquem a vontade, mas sem estardalhaços. Faço parte de uma Cia. Teatral chamada Os Retardados. Primeiramente queria agradecer a todos que aqui estão e que compareceram somente para prestigiar este artista humilde e de coração limpo."
Por um instante ele aponta o indicador para um senhor magro, de barba branca e olhar acima dos óculos, que permaneceu na primeira fila.
"Ali está a prova de que não minto. Essa é a quarta vez que o senhor assiste este espetáculo, não é mesmo?"
Ele nem sequer lhe deu o direito de resposta.
"Como vêem não estou fantasiado. Apenas meu nariz de palhaço me leva para o diferencial. Estou vendo que a casa está lotada, o show nem terminou e alguns já se encontram de pé, muito obrigado. Faremos o seguinte: Eu serei o artista, vocês o público, o cobrador será a banca e a direção nós deixamos para o motorista. Por falarmos em banca, vamos ver quantos ingressos já foram vendidos?!" – Vai até o trocador – "Temos a informação de que já foram vendidos 235 ingressos, dez a mais do que na última apresentação. Isso é bom!"
O ônibus pára no sinal, de onde embarcam outras pessoas.
"Olha aí! Mais gente chegando, prestigiando o trabalho do artista… Prazer, tudo bem? Qual é o seu nome?"
"Fulana!"
"Bem vinda Fulana, vai ser difícil conseguir um lugar bom, viu?… O ingresso custa 1,90 é só pagar aqui na banca e bom divertimento."
A medida em que ele fazia do ônibus, seu palco, aproveitei para olhar ao redor e pude perceber que as pessoas haviam desfeito toda a princípio surpresa ou coisa imprevista. Elas agora sorriam, mesmo que ainda fosse um sorriso entreaberto. Mesmo que não fosse de orelha a orelha. Mas já era um sorriso. E o artista, o palhaço, foi nos conduzindo aos poucos para o seu mundo, do qual, ele jamais saiu e nós deixamos de existir.
Ele não precisou de um palco Italiano para representar, nem de uma arena ou semi-arena, nem de cortinas e coxias, nem de um foco ou boca de cena para exibir seu espetáculo. Ele queria, de certo modo, revolucionar o artista que existe dentro de cada um. Não pelo talento de fazer maldade, não pelo engenhoso mecanismo de saber burlar as pessoas ou pela arte de rir das infelicidades dos outros. Não. Ele queria reensinar os valores éticos esquecidos através dos tempos, escondidos nas mangas, nos bolsos e nas cuecas. Ele queria nos fazer sorrir.
Hoje estive me perguntando se Deus nos avisa quando é hora de sorrir…
É tão evidente que não. Mas é tão claro que o desejo benévolo de Deus para conosco, é exatamente o de nos ver feliz.
Ele, o artista, continuou:
"Esse é um novo número que criei para o meu espetáculo, mas preciso da colaboração de todos para que dê certo. Topam?"
Alguns que já se encontravam em estado de júbilo, levantaram as mãos, dizendo: "Sim". Enquanto outros olhavam para o lado de fora das janelas, receosos com o que poderia vir.
"Muito bem! É simples… o lado esquerdo da platéia começa a cantar Atirei o pau no gato, e o lado direito bate palma. O berro do gato quem vai dar é o cobrador… – Todos riem. Podemos começar?"
Antes mesmo de dar início a canção, todos já havia principiado o canto, do "atirei" até o "morreu", formando um coro perfeito digno de um prêmio Pascoalino.
O cobrador virou para o público e exclamou envergonhado:
"Miau!"
"Muito bom!" – disse o palhaço em meio a risada da platéia. – "Muito bom! Agora vamos agradecer o nosso colega ao lado, abraçando-o pelo sucesso…"
Numa ação brusca todos se olharam.
"Abraçar uma pessoa que eu nem conheço?" Devia ser o pensamento de todos, ao contrário dos que já se conheciam.
Havia um homem ao meu lado. Reparei que ele ficou meio sem jeito se apressando a olhar através do vidro, para o lugar mais distante possível. Vago e distante. Era o nosso primeiro e último abraço de humano para ser humano, que nem chegou a acontecer. Talvez pelo preconceito criado por uma sociedade burra, e que naquele momento estava sendo imposto por ele, no qual eu nem sabia o nome. Então o nomearei "rapaz sem nome". Apesar de eu ter que deixar as coisas bem claras, preservando minha virilidade, não vi motivos para um conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério. Serei sincero, daria um abraço forte naquele "rapaz sem nome", assim como daria em meu irmão ou em meu pai. Daria por que o palhaço solicitou, sabendo que os motivos que o levou a pedir foram motivos plenos nos seios da boa vontade. No ventre do bem estar. Do próximo, da corrente, do elo, do violoncelo com todo o seu dó grave que cisma em afinar todos os dias dentro de nós. E suas quatro cordas, uma que nos enforca, outras que nos puxa para a porta de entrada sem saber – ou sabendo – que lá dentro é muito mais perigoso.
Quando me dei conta, já estava a um ponto de descer. Meus papeis em minha suja mochila revelavam meu gosto pela arte e pelo teatro. Queria poder dizer que eu também era ator. Que eu fazia parte daquele mundo esquecido por quase todos. Mágico. Simples. Transformador. Que fazia do ônibus, entre centenas, um palco móvel. Que fazia da chuva, confetes. Dos postes, bengalas gigantes, e das nuvens, saborosos algodões-doces.
Imaginar assim requer uma vantagem: "Ver a vida com outros olhos".
O mesmo olhar de uma criança que busca na fome, no prato vazio, uma pista de dança para um de seus bonecos sem braço, e que um dia cresce e deixa injustamente escapar a linha que a mantinha presa aos encantos e fascínios da vida. Seja nos livros, nas canções de ninar, nos desenhos e rabiscos, nas histórias de sua mãe, que sempre terminavam com finais felizes.
"Temos que ver a vida com outros olhos…" eu queria dizer. Mas não disse. Covardia ou não, eu tinha medo daquele mundo esquizofrênico. Eu tinha inveja daquele mundo dos palhaços.
O ônibus freou bruscamente. Uma senhora reclamou, e o artista tratou logo de resolver a situação.
"Olhem! Vejam quem está aqui hoje… Fernanda Montenegro! Sinto-me honrado por sua presença…"
A senhora que antes surgira com o rosto rubro de tanta raiva, agora sorria. A mesma puxou a cigarra. No painel surgiu escrito: "Parada solicitada". Havia chegado o meu ponto. E por um segundo, meu desejo foi não me mover. Permanecer ali, estagnado, sendo abençoado por poder estar presente, até o final do espetáculo, não importando o quanto tempo durasse. Podia ser uma, duas ou até três horas seguidas. Apesar da minha grande vontade, fui pego pela razão, pisoteado sem chances de reagir. Tinha um serviço a cumprir, tinha um trabalho a zelar, e tinha contas para pagar. De novo o mundo me aprisionou com suas barras de ferro invisíveis.
Desci, pensando em um dia ser livre!
Todo o meu cansaço havia sumido, mas não minha esperança de um dia poder viver da arte e jamais esquecer da origem própria da palavra. Procurando representar uma realidade tangível, de forma que todos possam se entreter por uma visão exterior, sem esquecer que fazemos parte dessa realidade, onde as aparências retratadas de uma maneira alterada ou distorcidas, deixam de ser problemas para virarem, assim como nosso humilde artista do nariz vermelho, grandes artistas.
Hoje estive me perguntando se Deus nos avisa quando é a hora de sorrir ou quando é hora de chorar.
Quer saber…

Preciso de umas férias!

Mensagem de uma amiga

Mensagem recebida de Cristia Fernandes às 10:25 da manhã numa terça-feira.

(Isso me faz lembrar de como é bom poder ter amigos!)

Léo kd vc? Amigo, como vc está? A faculdade... já voltou né? Imagino a correria... poxa e seu pai? espero que esteje melhor! Olha estou cheia de interrogações sobre vc: e a Carla? e o curso? E o trabalho? Me manda notícias, estou preocupada contigo. Um beijo grande pra ti e pra Carlinha. Se cuida e ñ deixe de se alimentar ok?? Fica com Deus!

Resposta às 11:04 da manhã do mesmo dia.

(A distância é quase aterradora. Lágrimas e sorrisos se misturam numa dança que me embala. Queria que fosse de madrugada. Assim os vizinhos ouviriam, tomariam providências e eu, por fim, dormiria.)

Oi Cris... poxa quanto tempo mesmo! Ontem eu vi o Riba no metrô! Ele tem que tirar umas férias, parece muito cansado!!!! Ele me abraçou, me beijou e fez o mesmo com a Carla, disse que estava com muita saudade da gente!!!! Pediu para eu ir no senac daqui a duas semanas, pois vai começar as apresentações.. eu acho!!!! Disse que iria sim, mas vou confessar que não vou! Não quero mais pisar os pés lá! Teatro existe em todo lugar! A vanessa foi quem apareceu por aqui... fiquei sabendo pela carla... ela esteve no centro médico e ela perguntou o que a carla estava fazendo ali, a carla disse que estava estagiando! Ela indagou sobre mim e pediu meu telefone, a Carla deu... logo em seguida recebi uma mensagem da vanessa, perguntando como eu estava e pedindo desculpas por tudo, que o Gabriel sentia muita falta de mim, e que ela reconhece a burrada que fez, disse tbm que era outra pessoa e que havia mudado muito!! havia ficado mais madura!!! É... eu acredito que as pessoas mudam, pode ser, quem sabe... mas fiquei feliz que por um momento ela manteve-se humilde!!! Outra coisa, minha faculdade começou sim, está pauleira, o negocio vai ficando mais complicado, e a exigência dos professores ficam maiores!!! No trabalho... bem consegui o que queria... não saio mais pra rua, agora só fico na minha mesa!!! Vou ficar gordo assim... rsrsrsrs... a Carla ainda está naquele processo difícil que é trabalhar e estagiar de madrugada!!! Mas ela consegue!!
Cris, apesar de tudo, naum vou desistir de escrever sobre a Clarice, tá???? Não vou desistir... é meu dever e minha obrigação! Aos pouquinhos, apensar de toda essa correria, sinto minha inspiração para escrever, voltar. Comecei com um novo modo, meu blog tem me ajudado muito, pois resolvi escrever a cada semana uma história sobre uma mulher chamada Dona Dalvina! Uma velha de cabelos brancos como algodão doce e com um andar curto e ligeiro! As postagens se chamarão: "AS PERIPÉCIAS DE DONA DALVINA." e seguirão sempre com títulos diferentes, tipo: "Posso ser pequena, mas niguém me carrega no bolso"!!! O blog me animou e está de cara nova, acesse aí:
Idéias Doravante. Quero voltar a escrever e a ler como antigamente, minha mente precisa disso, dessas informações!!! Foi o que me motivou a escrever de novo, e Clarice está nos meus planos!!!! Preciso pesquisar muito sobre ela, e ontem estive na Casa de Ruy Barbosa, mas tinha muito pouco tempo! Preciso ir com mais calma! Estou me divorciando do Teatro para voltar a sentir a simples pena na mão esquerda! Penso como Clarice:

"O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo. Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade. Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro... Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."

No momento eu preciso disso... me concentrar nas coisas que devo e escrever sobre tudo em minha volta!!!! Eu sou isso, sirvo somente para servir o mundo com o que posso, e o que posso me sustenta... há muito tenho fome! Não vamos deixar de se falar ein? E o Bruno como está?????? Diga pra ele que vocês são muito especiais pra mim!!!! Não consigo ver uma vida sem amigos!!!! precisamos nos ver, precisamos mesmo!!! E o seu trabalho??? E a sua vida... me conte mais de você também... chega de falar sobre mim!!!! Um grande beijo de seu amigo... Leonardo Lima!!!

OBS: MAS PODE DEIXAR, ESTOU ME ALIMENTANDO BEM... risos.


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...Ficarei mais atento a vida.

Lavagem Cerebral

Lavagem Cerebral... essas são as palavras que encontro para me deparar diante da razão outra vez e da beleza de um dia sem preocupações, revelações e lembranças não muito distantes. O abastecimento de informações erradas, ou plantadas pelos mesmos que colhem e usufruem delas, me dá a certeza de que devo fazer uma lavagem cerebral. Daquelas bem lavadas, onde determino até o momento e o tempo em que devo regredir, ou como devo atuar em meio a essa sociedade estúpida de dez por cento que, em algum instante correm para o lado direito aos passos pesados e decididos e em outro, correm para o lado esquerdo com feições de coitados querendo redenção. No centro, eu. Julgado sem ter preparado meu colete a provas de sopros e palavras e talvez até salivas surgidas por uma boca onde a voz sai mais grave do que o ronco de um motor em funcionamento. Pode parecer exagero, mas é tão grandioso quanto à importância que eu tinha de certas pessoas, na qual torço para que sumam através de minha lavagem cerebral. Posso sentir o gosto do esquecimento, se é que há gosto, pois há o risco de meu fino paladar evacuar de minha mente, assim como o que comi no dia anterior a lavagem. Talvez a palavra seja lavagem, seja lá o que eu comi. Mas merda, com certeza engoli. Durante meses esperando surgir ao menos um pouco de caviar, seguido de um refrigerante de um e trinta e nove.
É deprimente... Ser autor de meus próprios erros. Cometer a maior falha de acreditar que existe esperança onde não há esperança, de dedicar o meu tempo precioso assim como anel de Górgon e não parecer precioso aos olhos de quem não se dedica. De desfrutar de uma rica sonoplastia editada e aprovada para futuras marcações da vida e encontrar um bando de surdos. Mas não mudos, pois o dever que lhes foi dado e o direito de julgar o errado se revelou o oposto ao duvidarem de uma mente certa até que se prove o contrário. Contrário é afirmar que o poste urina no cão. Pode parecer fora de contexto ou engraçado... Mas eu não acho. Não acho, porque graça é uma coisa que nasce junta ou se conquista através de fios de cabelos caídos. E esse vômito que eu estou escrevendo, não chega a ser nenhum pouco comediante. Ele traz apenas coisas que eu queria ter dito quem sabe numa linguagem totalmente chula, ou imprópria para menores.
Por falar em menores, devo ressaltar que depois de muitas informações erradas e julgamentos impróprios a minha pessoa, olhei-me no espelho por várias vezes tentando encontrar um pouco da criança que disseram ainda em mim existir. Confesso que não achei. Até gostaria de encontrá-la, abraça-la aos beijos e agradecer pelo homem que me tornei, pela humildade, pelos meus atos, e até por suas conseqüências. A experiência é a escada para o topo da inteligência. Mas me falta ainda muita experiência, me falta topo. O espelho, espelho meu não me trouxe a criança que me revelaram. Digo que é uma pena. Pois sábios são aqueles que acham a criança adormecida, e que por mais, nem precisam de transgressão para tal. Eu não. Comigo somente lavagem cerebral. O difícil vai ser achar alguém com coragem para realizar tal façanha ao ver o que há dentro de minha caixa surpresa, repleta de poucos e bons momentos, desejos não realizados, tentados através de mãos queimadas por uma lâmpada de sessenta graus, a qual jurava conter um gênio dentro. Proporções maiores que essas só mesmo virando criança, onde chorar é como sorrir, onde doce e guloseimas é como primeiro carro ou a casa própria. Quisera eu ser criança sim. E infeliz daqueles que nunca desejaram ser. Ao menos que a infância tenha sido um mar de cravos e as lembranças embaçadas. A essas eu indico uma lavagem cerebral. Assim como eu e minha vontade de esquecer o hoje, de mudar o amanhã...
Não houve uma forma nem pré-definição de como esse vômito iria terminar, pensei apenas em colocar tudo pra fora, mas sem saber que havia tanto bílis a expor. Estou com enjôo, desde o começo. Peço desculpas se sujei seus pés ou se lavei suas mãos, já que a covardia veio seca e não molhou sequer a consciência de todos. Talvez Freud pudesse me explicar que toda essa sujeira minha fosse resultado da inconsciência permanente de meu ser. Mas estou inconsciente agora e tentando varrer a sujeira que vi, para debaixo do tapete. Olhos que enganam cruéis. Infiéis ao meu coração, vendo que o mesmo sofria pelo começo de uma flechada coberta de veneno nas pontas. Mas eu dei um fim. Tardio fim. A flechada perfurou de uma forma que a única maneira de tirá-la seria partindo-a ao meio. Meu coração sagraria, meus pulsos se abririam involuntariamente, e eu assistiria sentado em uma cadeira velha no meio do nada, assim como Sofia, personagem principal que me revela através da busca para meus desgostos. Queria poder lembrar de todos de uma forma que todos pudessem lembrar de mim, mas será necessário, mais que necessário, será o meu fim em suas mentes ou suas mentes absorvendo o meu fim.
As lágrimas, as grandes saudades, o inconsciente que defende a criança que não vem os julgamentos impróprios, a beleza que não fala, os surdos que não mudam, as defesas que atacam... A todos vocês, eu lhes dedico...

Minha lavagem cerebral.

O retrato de mim mesmo

“Espelho, espelho meu…”

A pergunta vem a seguir,

Diria que se essa indagação nascesse atualmente

Ela seria por inteira diferente.

Exemplo tenho de Osama,

Onde, pra tanta raiva, pareceu cair da cama.

Quando criança devia se perguntar:

Espelho, espelho meu…

Existe alguém mais cruel do que eu?

Talvez o espelho não quisesse responder

Por uma causa justa ou por contra-dizer

Seria hilário ver…

Meu pai investigar a pobre lâmina de vidro:

“… Existe um homem mais certo do que eu?”

Certo seria minha mãe morrer de rir.

E eu… bem, por dentre o espelho em nada me assemelho.

Quisera eu poder ver o coelho,

Assim como Alice,

E me alentar na superfície da imaginação.

Ao contrário da pergunta humanitária do presidente:

“… Existe alguém mais companheiro do que a gente?”

Prefiro afirmar o que há no meu próprio reflexo:

“… Não há ninguém mais burro do que eu!”

E mesmo sem nexo,

Crio o retrato de mim mesmo,

Apesar de suspeito, meu erro sobreviveu.

E não há espelho nenhum que me replique,

Pois esse sou eu!

Minha Vida Resumida


Tenho visto aos domingos, no programa Fantástico, pessoas famosas revelando suas vidas em somente quinze segundos. Se tivesse uma dessas oportunidades, seria tão breve que o tempo recusaria espaço e se encolheria.
É quase impossível resumir-se em tão pouco prazo, o que não cabe a mim. Eu levo ao pé da letra minha vida condensada, tudo isso em quinze segundos e nada mais. Caso eu extrapole, perdoe-me. Por mais que eu tente levar a efeito o que prometi, pode haver uma falha humana, essa falha corresponde a uma mistura de euforia fora do normal e desespero.
Acima da compreensão, existe a razão pelo qual estou escrevendo. Não espero que você entenda, apenas leia pausadamente. Vou lhe contar um segredo sem muito sabor: nem eu às vezes me entendo. Para acabar com todo esse enleio, segue minha existência em quinze segundos:

- Eu nasci, cresci, morri, nasci de novo, cresci outra vez e espero não morrer nunca mais ou pelo menos por enquanto. Quem dera eu poder seu outro ou se não outro ser o que fui em tanto. Pra esgotar todo esse pranto que pra inseto é chuva fina. Com muito prazer eu me chamo: Leonardo Lima.

É isso talvez… ou talvez seja isso. Rimas falsas pra completar a falsidade que foi minha vida. Estampando a miséria e a inocência, que duraram muitos aniversários meus.
Até o momento tenho a velha foto já colorida, segurando uma bandeira velha do Brasil em cada mão, com um sorriso banguela e um short azul colocado de qualquer jeito. De qualquer jeito eu vivi, dividindo com meu irmão mais velho o quarto fantasia do Mikey Mouse. Tudo nele lembrava a Disney. Lembro perfeitamente… as bolas cheias de estrelas, os lençóis, as cortinas, o abajur do palhaço – no qual morria de medo – e as roupas com cheirinho de nada. Éramos pobres e com orgulho. O mesmo orgulho de um bolinho de chuva acompanhado de um gole de café depois do almoço, recheados de dignidade. Amava a tarde, amava estudar, amava brincar de noite de pique-pega, pique-esconde, carniça, taco, pião, pipa, bolinha de gude… e futebol. Ah… como eu jogava futebol. E o sonho de criança em ser jogador ficou pra trás junto com meus brinquedos de peças faltantes. Não posso ser aquilo que sonhei, mas hoje sou um homem de bem. Isso pra muitos é quase impossível.
Passei por bons bocados. E desses bons bocados, assistir um homem e uma vila conquistar o mundo, vi cavalheiros lutarem pela paz, pude apreciar uma jovem loura descer de uma nave, fui fã de um carrossel, apreciei desenhos inocente e mentirosos e pude notar que o mais verdadeiro, a fera era alguém extremamente belo. Percebi o elo perdido entre as pessoas, espantei-me ao ver que uma maça quase destruiu uma mulher branca e que uma carroça, pode sim virar uma abóbora. Conforme fui crescendo, aprendi com um mestre baixinho, considerado mago, algumas lições que levei para a vida. Aprendi que por mais que você tenha cabelos enormes e vistosos, alguém acabará usando-o como corda. E por mais que você não possua poderes, os seus heróis vão sempre estar em sua mente dizendo que responsabilidade também é poder, e que não existe melhor momento do que o tempo que você escolhe, aquele que você preferiu para contar em um roda de amigos, ou numa carta, ou no seu blog… ou você acha que minha vida se resume só a isso?

Apresentação


Gostaria de ser direto o sufuciente para não não ter que enfrentar as críticas que poderão surgir, trancando-me no quarto e pensando no porquê de não ter revelado-me aos extremos. Mas não posso. Ou não devo. Porque das minhas centenas de postagens que virão eu não saberei se estarei sendo transparente ou não, se estou enganando ou se estou sendo enganado...

Basicamente a maneira mais simples de se começar um "blog" é dizendo: olá! Mas vou confessar: eu odeio "olás"! Jamais você verá um sequer olá em minhas anotações e textos. Tudo isso porque não quero ser tão próximo de você e nem tão bobo a ponto de não ser criativo. Pois bem, esse blog para mim é um ponto de partida para alguns textos, críticas, resenhas, pensamentos, músicas e poemas. É a introdução das minhas idéias que para alguns podem parecer atrasadas demais, mas que pra mim são doravante. Sinceridade... pra muito eu não sou entendido! Por fim, eu não quero que você entenda, aliás, fui eu quem te trouxe até aqui! Você não acredita? Então pense que pra todo caos existe uma ordem... resumindo: algumas coisas são difíceis de se explicar, outras são visíveis demais que nem preciamos ser abduzidos até o final para se saber o que acontece! Aqui não é uma novela, mas você pode acompanhar. Aqui a arte de transformação depende de um único personagem, eu! Mas não vamos dar uma de masoquista e sadomasoquista, vamos parecer amigaveis para os outros. não precisa gostar de mim, mas lembre-se, eu sou um cara legal, levo uma vida normal, e minha intenção é mostrar para você o que eu penso sobre tudo e todos. Quem sabe nossos gostos e críticas não se igualam e assim poderemos discutir mais a fundo... mas se de princípio não gostou de mim, tudo bem, servirei-lhe apenas com o que tenho de melhor: seis cadernos de papéis amarelados, um lápis e o prazer de escrever!

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